Lilia Katri Moritz Schwarcz

Item

Nome Completo

Lilia Katri Moritz Schwarcz

Sobrenome

SCHWARCZ

Nome

Lilia

Profissão

Historiadora
Antropóloga

Áreas do Conhecimento

Ciências Humanas

Instituição

Publicações e Obras

SCHWARCZ, Lilia; GOMES, F. ; LOPES, S. <strong>Enciclopédia Negra para jovens leitores. </strong>São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2025.
SCHWARCZ, Lilia. </strong> Direito à memória:</strong> Arte afro-brasileira, Indígena e outros Modernismos. São Paulo: Almeida & Dale Galeria, 2024.
SCHWARCZ, Lilia. <strong>Imagens da branquitude: </strong> A presença da ausência. São Paulo: Companhia das Letras, 2024.
SCHWARCZ, Lilia. <strong>Andar pelas bordas:</strong> bordado e gênero como práticas de cuidado. São Paulo: Arte 132, 2023.
SCHWARCZ, Lilia. <strong>Vários 22</> (Catálogo). São Paulo: Arte 132, 2022.
SCHWARCZ, Lilia Moritz; Stumpf, Lucia ; LIMA JR., C. <strong>O Sequestro da Independência. </strong> São Paulo: Companhia das Letras, 2022.
SCHWARCZ, Lilia. <strong>Óculos de cor:</strong> ver e não enxergar. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2022.
SCHWARCZ, Lilia. <strong>Triste República:</strong> a Primeira República comentada por Lima Barreto. São Paulo: Quadrinhos na Cia, 2022.
PEDROSA, Adriano ; SCHWARCZ, Lilia. <strong>Histórias Brasileiras.</strong> São Paulo: MASP, 2022.
PAULA, D.; SCHWARCZ, Lilia. <strong>Dalton Paula:</strong> o sequestrador de almas. Rio de Janeiro: Cobogó, 2022.
SCHWARCZ, Lilia; GOMES, F.; LAURIANO, J. <strong>Enciclopédia Negra:</strong> Biografias Afro-brasileiras. São Paulo: Companhia das Letras, 2021.
SCHWARCZ, Lilia; KRENAK, A. <strong>Tolerância intolerante.</strong> Salvador: EDUFBA, 2021.
STARLING, Heloísa; SCHWARCZ, Lilia; RODRIGUES, R. . Diálogos sobre a pandemia. A história das pandemias no Brasil. Brasilia: Senado Federal, 2021.
SCHWARCZ, Lilia; STARLING, Heloísa. <strong>A bailarina da morte: a gripe espanhola no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.
SCHWARCZ, Lilia; LAJOLO, M. <strong>Reinações de Monteiro Lobato:</strong> uma biografia. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2019.
SCHWARCZ, Lilia. <strong>Sobre o autoritarismo brasileiro.</strong> São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
SCHWARCZ, Lilia; Starling, Heloísa . <strong>Três vezes Brasil:</strong> Alberto da Costa e Silva, Evaldo Cabral de Mello, José Murilo de Carvalho. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2019.
SCHWARCZ, Lilia; STARLING, H. M. M. <strong>Dicionário da República:</strong> 51 textos críticos. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
SCHWARCZ, Lilia; GOMES, Flávio dos Santos. <strong>Dicionário da escravidão e liberdade.</strong> São Paulo: Companhia das Letras, 2018.
SCHWARCZ, Lilia; Machado, Maria Helena (Org.). <strong>Emancipação, inclusão e exclusão:</strong> desafios do passado e do presente. São Paulo: EdUSP 2018.
SCHWARCZ, Lilia. <strong>Lima Barreto, triste visionário.</strong> São Paulo: Companhia das Letras, 2017.
SCHWARCZ, Lilia; PEDROSA, Adriano. <strong>Histórias Mestiças</strong> (catálogo). Rio de Janeiro: Cobogó, 2015.
SCHWARCZ, Lilia.; STARLING Heloísa. <strong>Brasil:</> uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
SCHWARCZ, Lilia. <strong>Amazônia Ocupada.</strong> São Paulo: SESC, 2015.
SCHWARCZ, Lilia; VAREJÃO, Adriana. <strong>Pérola Imperfeita:</> a história e as histórias de Adriana Varejão. Rio de Janeiro: Cobogó/Companhia das Letras, 2014.
SCHWARCZ, Lilia; PRIETO, H. <strong>Circo da amanhã.</strong> São Paulo: Companhia das Letras, 2014.
SCHWARCZ, Lilia. <strong>Dicionário de Políticas Públicas.</strong> São Paulo: Fundap/Imprensa Nacional, 2013.
STUMPF, Lucia ; LIMA, Carlos ; SCHWARCZ, Lilia. <strong>A batalha do Avaí:</strong> A beleza da barbárie: a Guerra do Paraguai pintada por Pedro Américo. Rio de Janeiro: Sextante, 2013.
SCHWARCZ, Lilia; HOFBAUER, A. (Org.). <strong>Manuela Carneiro da Cunha:</strong> o lugar da cultura e o papel da antropologia. Rio de Janeiro: Beco do Azougue, 2012.
SCHWARCZ, Lilia; BOTELHO, André (Org.). <strong>O homem cordial:</strong> Grandes Ideias. São Paulo: Penguin & Companhia das Letras, 2012.
SCHWARCZ, Lilia. <strong>História do Brasil Nação:</strong> 1889-1930. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.
SCHWARCZ, Lilia; COLI, Jorge ; MAMBER, Miriam. <strong>Miriam Mamber joalheira.</strong> São Paulo: Bei, 2012.
SCHWARCZ, Lilia. <strong>Comunicação e transformação social.</strong> São Leopoldo: Unissinos, 2012.
SCHWARCZ, Lilia.; RUBIM, Christina de Rezende . <strong>Iluminando a face escura da Lua.</strong> Marília: Cultura Acadêmica editora, 2012.
SCHWARCZ, Lilia. <strong>Nem preto, nem branco muito pelo contrário:</strong> cor e raça na sociabilidade brasileira. São Paulo: Claro Enigma, 2012.
OLIVEIRA, Rui ; Lilia. <strong>O príncipe triste.</strong> São Paulo: Difusão Cultural do Livro, 2010.
SCHWARCZ, Lilia. <strong>Napoleon's Atlantic: the impact of Napoleonic empire in the atlantic world.</strong> Amsterdam: Brill, 2010.
SCHWARCZ, Lilia. <strong>D Pedro II e seu reino tropical.</strong> São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
SCHWARCZ, Lilia. <strong>O sol do Brasil:</strong> Nicolas-Antoine Taunay e as desventuras dos artistas franceses na corte de d. João. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
SCHWARCZ, Lilia; SPACCA . <strong>D. João Carioca.</strong> São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
SCHWARCZ, Lilia; GARCIA, L. <strong>Registros escravos:</> repertório das fontes oitocentistas pertencentes ao acervo da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro: Editora da Biblioteca Nacional, 2006.
SCHWARCZ, Lilia; AZEVEDO, P. C. <strong>O livro dos livros da Real Biblioteca.</strong> São Paulo: Fundação Odebrecht, 2003.
SCHWARCZ, Lilia; COSTA, A. M. ; AZEVEDO, P. C. <strong>A longa viagem da biblioteca dos reis.</strong> São Paulo: Companhia das letras, 2002.
SCHWARCZ, Lilia. <strong>Racismo no Brasil.</strong> São Paulo: Publifolha, 2001.
SCHWARCZ, Lilia; COSTA, A. M. <strong>Na era das certezas:</strong> 1870-1920. São Paulo: Companhia das letras, 2000.
SCHWARCZ, Lilia. <strong>Símbolos e rituais da monarquia brasileira.</strong> Rio de Janeiro: Zahar editor, 2000.
SCHWARCZ, Lilia; GOMES, N. L. (Org.). <strong>Antropologia e História:</strong> Relações de Fronteira. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.
SCHWARCZ, Lilia. <strong>As barbas do Imperador.</strong> São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
SCHWARCZ, Lilia; QUEIROZ, R. S. <strong>Raça e Diversidade.</strong> São Paulo: EdUSP, 1996.
SCHWARCZ, Lilia; REIS, L. V. (Org.). <strong>Negras Imagens:</strong> Cotidiano, Violência e Cultura. São Paulo: EdUSP, 1996.
SCHWARCZ, Lilia. <strong>Virando Vinte:</strong> Politica, Cotidiano e Imaginário em São Paulo em Finais do Século XIX. São Paulo: Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, 1994.
SCHWARCZ, Lilia. <strong>O Espetáculo das Raças.</strong> Cientistas, Instituições e Pensamento Racial No Brasil: 1870-1930. São Paulo: Companhia das letras, 1993.
SCHWARCZ, Lilia. <strong>Os Institutos Históricos e Geográficos.</strong> Os guardiões de nossa história oficial. São Paulo: Vértice/Idesp, 1989.
SCHWARCZ, Lilia. <strong>De festa também se vive.</strong> Reflexões sobre o centenário da abolição em São Paulo. Rio de Janeiro: Papéis avulsos CIEC, 1989.
SCHWARCZ, Lilia. <strong>Retrato em branco e negro:</strong> jornais, escravos e cidadãos em São Paulo no final do século XIX. São Paulo: Companhia das letras, 1987.
PAIVA, M.; schwarcz, Lilia. <strong>Da Colônia Ao Império.</strong> Um Brasil Para Inglês Ver e Latifundiário Nenhum Botar Defeito. São Paulo: Brasiliense, 1983.
SCHWARCZ, Lilia. <strong>República vou ver.</strong> São Paulo: Brasiliense, 1983.
SCHWARCZ, Lilia. <strong>Navio Negreiro.</strong> Cotidiano, Castigo e Rebelião Escrava. São Paulo: Estação Ciência, 1980.

Referências

SCHWARCZ, Lilia. Depoimento sobre sua vida pessoal e trajetória na ciência [comunicação pessoal]. Mensagem recebida por Isabela Parucker em 24 nov. 2025.
SCHWARCZ, Lilia M. <strong>Brasil:</strong> Uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.
SCHWARCZ, Lilia M. <strong>Imagens da branquitude:</strong> A presença da ausência. São Paulo: Companhia das Letras, 2024.
SCHWARCZ, Lilia M. <strong>O Espetáculo das Raças.</strong> São Paulo: Companhia das Letras, 1993.

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Mais Informações

Palavras-chaves

Português história
Português antropologia
Português escravidão
Português racismo
Português brasil império

Foto Principal

Local de Nascimento

Nascimento

December 27, 1957

Frase

"A beleza da ciência é que ela é sempre incompleta: ela sempre pode e deve ser superada. [...] Estamos aí para sermos superados, para levantarmos muitas questões, para atiçarmos o conhecimento."

Breve Resumo

Lilia Schwarcz, historiadora e antropóloga, é professora titular da Universidade de São Paulo (USP) e docente visitante em Princeton. Também atua como editora da Companhia das Letras, da qual é co-fundadora, e tornou-se uma das mais importantes vozes no debate público sobre identidades nacionais e desigualdades históricas no Brasil.

Biografia

<strong>Origens familiares e herança intelectual: primeiros passos</strong>
A história não é apenas a lembrança do que já passou. Ela é viva e dinâmica, feita no presente, quando os historiadores revisitam memórias, interpretam documentos e organizam vozes. Não é mera cronologia, mas uma construção humana atravessada pela subjetividade e pela memória. É nesse horizonte que se inscreve a trajetória de Lilia Schwarcz.
Lilia Katri Moritz Schwarcz – Lili, para os amigos – nasceu em 27 de dezembro de 1957, na cidade de São Paulo. Sua família, de origem judaica francesa e italiana, emigrou para o Brasil fugindo do nazismo (Oliveira, 2024). Ela conta, com admiração, sobre a importante atuação dos avós no acolhimento de imigrantes vítimas da guerra e da luta da tia Hella pela recuperação de bens de famílias judias roubados pelo nazismo (Schwarcz, 2019b).
A afinidade de Lilia com antropologia e história surgiu, em parte, com a mãe, formada em ciências sociais, e com livros dessas áreas que herdou de seus avôs. Sua passagem pelo Colégio Vocacional — escola experimental da rede pública, politizada e voltada à inclusão social por meio da igualdade de oportunidades — também foi decisiva para sua formação intelectual (Schwarcz, 2019b). Ela recorda ainda que a militância da tia Hella despertou nela o entusiasmo por ciências sociais e história desde jovem (Schwarcz, 2019b).

<strong>Entre a história e a antropologia: formação acadêmica e produção intelectual</strong>
O interesse e a sensibilidade para questões da memória viraram escolha profissional: Lilia formou-se em história na Universidade de São Paulo (USP). Ela confessa, porém, que sua entrada para a história foi fruto de um equívoco. Conta que, no momento da inscrição para o vestibular, pensou ter escolhido ciências sociais (Schwarcz, 2014). Espantou-se, contudo, ao ver que havia sido aprovada para história, que não havia sido sua primeira opção, e foi à universidade resolver a confusão. Lá um funcionário lhe disse para dar uma chance ao curso apesar do engano, pois ela poderia gostar. Dito e feito: Lilia acabou entrando para a história e de lá nunca mais quis sair.
Hoje, Schwarcz habita confortavelmente um lugar entre a história e a antropologia (Schwarcz, 2014). Ela afirma, contudo, que no início foi difícil atuar nessa fronteira, fazendo o que ela chama de etno-história ou história antropológica: “uma história atenta não só à mudança, mas também ao que fica” (Schwarcz, 2025).
Suas pesquisas de mestrado e doutorado em Antropologia Social são interdisciplinares e carregadas da perspectiva histórica. Investiga questões de raça e representação social, usando a imprensa e produções científicas do século XIX como fontes principais. Para Schwarcz, a construção histórica da sociedade brasileira e das suas desigualdades é fundamentada em questões raciais.
Ela mostra que, na história do país, especialmente em meados do século XIX e início do XX, muitos cientistas e intelectuais usaram argumentos científicos para justificar diferenças e desigualdades entre as pessoas. Criaram teorias ligando características físicas, como cor da pele e traços biológicos, a questões sociais como raça e gênero. Desse modo, fizeram parecer que era <i>natural</i> e <i>cientificamente justificado</i> que algumas pessoas ocupassem certos lugares na sociedade, enquanto outras fossem mantidas à margem.
Schwarcz analisa como essas teorias foram usadas para apoiar o racismo e tornar tais diferenças socialmente aceitas, e como tudo isso serviu para reforçar a ideia de que alguns grupos — principalmente homens, brancos, cisgêneros e heterossexuais — têm mais direitos e privilégios do que outros. Seus estudos ajudam a entender de onde vêm as desigualdades que ainda existem no Brasil, e por que é necessário questionar as ideias preconceituosas que se apresentam como ciência.
Das pesquisas acadêmicas às postagens nas redes sociais, Schwarcz chama atenção para a centralidade da discussão sobre raça na sociedade brasileira. Reitera constantemente que é crucial compreender o papel das relações raciais na constituição da nossa sociedade e na manutenção de desigualdades e injustiças.

<strong>Vida pessoal e parceria com Luiz Schwarcz</strong>
Muitos trabalhos de Lilia sobre essas questões já foram publicados pela Companhia das Letras, editora que ela fundou em parceria com Luiz Schwarcz, seu esposo.
Juntos no trabalho e no amor, os dois se conheceram muito novos. Quando tinha 12 anos, Lilia fez amizade com Luiz, colega da colônia de férias. Nessa época, ela foi cupido para o então amigo: “fui a <i>matchmaker</i> dele com uma outra pessoa”, ela relata bem-humorada (Schwarcz, 2019b).
Durante o ensino médio, já mais velhos, Lilia e Luiz se reencontraram e, desde então, nunca mais se separaram (Schwarcz, 2019b). Casaram-se, tiveram dois filhos e fundaram, juntos, uma editora de grande sucesso nacional responsável pela edição de relevantes obras da literatura brasileira de ficção e não-ficção.
Inúmeras obras de Schwarcz já foram lançadas sob o selo da Cia das Letras. A mais recente, <i>Imagens da branquitude: A presença da ausência</i> (2024), venceu o prêmio Jabuti Acadêmico de História e Arqueologia de 2025. O livro é fruto de anos de investigação sobre o uso de imagens como fontes históricas para compreender a construção de identidades e desigualdades sociais. Seu dedicado estudo sobre imagens mostra que elas não são mera decoração, pois elas produzem valores e significados (Schwarcz, 2025). No livro premiado, assim como em outros trabalhos, Lilia mostra como é possível “ler” imagens.
Também publicado pela editora, em 1993, o livro de Schwarcz <i>O espetáculo das raças</i> é considerado marco nos estudos sobre a construção científica do racismo no Brasil entre 1870 e 1930.
Outro título notável é <i>Brasil: Uma biografia</i> (2015), produzido em parceria com a historiadora Heloísa M. Starling. O Brasil é tratado como personagem de um enredo histórico-biográfico, elaborado a partir da análise de fontes históricas e perguntas do presente (Schwarcz e Starling, 2025).

<strong>Reconhecimento, prêmios e papel público</strong>
Reconhecido nacional e internacionalmente, o trabalho de Schwarcz combina o rigor científico com uma escrita clara e descomplicada. Transforma temas difíceis em leitura agradável, acessível a estudiosos especializados e ao grande público. Sua linguagem – fluida e didática – aproxima o leitor de questões essenciais da nossa história.
Por seu singular talento, Schwarcz recebeu prestigiosos prêmios literários, como o Jabuti de Ciências Humanas (2022) pela obra <i>Enciclopédia Negra</i>, em co-autoria com Flávio dos Santos Gomes. Nela, trajetórias de personalidades negras apagadas pela historiografia hegemônica ganham visibilidade. Em 2023, foi vencedora do Jabuti de Literatura Juvenil com o livro <i>Óculos de cor</i> (2022), em que escreve para crianças sobre seus temas de estudo, em especial, a branquitude e o racismo estrutural no Brasil.
Schwarcz também atuou como curadora de histórias de aclamadas exposições de arte, como a emblemática <i>Histórias Afro-Atlânticas</i> (2018), promovida pelo MASP. A mostra, que integra uma série de projetos e exibições em torno de diferentes histórias, foi bem recebida no circuito artístico nacional e internacional, ganhando o título de melhor exposição do ano pela Associação Brasileira de Críticos de Arte. O impacto da exposição confirmou a força da abordagem interdisciplinar do trabalho de Schwarcz, capaz de articular história, artes visuais e política da memória por meio de diferentes linguagens.
Pela contribuição de seus estudos e atuação pública para a sociedade no desenvolvimento da cultura, ciência, tecnologia e inovação no Brasil, Schwarcz recebeu do governo a Comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico, em 2010, e a Comenda da Ordem de Mérito Cultural, em 2025.
Em 2024, Lilia Schwarcz foi eleita para integrar a Academia Brasileira de Letras. Ela reconhece que a ABL é um lugar de privilégios (Schwarcz, 2024a): em mais de um século de existência, a instituição teve apenas 13 membros mulheres. A composição da Academia reflete o desequilíbrio de oportunidades da nossa sociedade: poucas mulheres, pessoas negras, pretas e pardas, ainda menos indígenas e representantes de povos originários.
Apesar disso, a nomeação de Schwarcz foi mais um passo na direção da diversidade e da inclusão de vozes plurais na cultura nacional. A ABL reconhece a aptidão de Lilia à luta por uma sociedade mais justa e igualitária, e destaca a importância de seus estudos sobre a história do Brasil e sua presença pública enquanto cientista, educadora e cidadã.
Ao longo de sua trajetória, Schwarcz não deixou de rever posições. Em 2006, foi uma das signatárias do Manifesto Contra as Cotas Raciais, mas, posteriormente, retratou-se publicamente, reconhecendo a importância das cotas como ação afirmativa para enfrentar desigualdades históricas (Schwarcz, 2019a). A reflexão aprofundou seu interesse no tema da branquitude e na necessidade da autocrítica do lugar de fala de estudiosos brancos.
Como afirma o filósofo e historiador Michel de Certeau, um dos pilares da pesquisa é o local de produção de onde fala o pesquisador. Isso significa que é essencial a todo cientista ter consciência de seu lugar na sociedade, para entender suas motivações e conhecer as limitações e possibilidades que circunscrevem sua pesquisa.
O episódio de retratação pública de Schwarcz é representativo de como o conhecimento é construído. Em qualquer área, a ciência deve ser aberta ao debate. O embate de ideias não a deixa falsa ou frágil; pelo contrário: o intercâmbio entre pares e a possibilidade de rever certas práticas tornam o conhecimento científico verídico e verdadeiramente alinhado à realidade, sempre dinâmica. Isso, a longo prazo, é muito positivo (Schwarcz, 2022).
Hoje o olhar de Schwarcz é muito mais atento a questões que antes passavam despercebidas, justamente por estarem naturalizadas em nossa sociedade. A branquitude, ela explica, sempre refletiu sobre o outro, mas nunca sobre si, o que afetou negativamente a estruturação do conhecimento (Schwarcz, 2022).
Quando pesquisadores brancos não questionam seu próprio lugar, deixam de identificar e abordar diversos problemas em suas pesquisas. A autorreflexão e a autocrítica são, por isso, processos necessários para a efetiva transformação não só do meio acadêmico, mas da sociedade em geral.
Schwarcz entende que, para alcançar essa mudança, precisa ouvir e ecoar as vozes e vivências de outros indivíduos. Os debates que promove em sala de aula contam com bibliografias de estudiosos e ativistas como Lélia Gonzalez, Abdias Nascimento e Sueli Carneiro, que há muitos anos denunciam esses mesmos conflitos sociais (Schwarcz, 2022). A atuação de Schwarcz soma aos esforços deles e tantos outros no combate às injustiças históricas.

<strong>Compromisso com o debate público e a educação: legado e contribuição para a sociedade</strong>
Lilia Schwarcz é uma grande notável no meio acadêmico, atuando como professora do Departamento de Antropologia da USP, e Global Scholar em Princeton. Recentemente, passou a marcar presença também na internet, produzindo conteúdos no YouTube e em seu podcast. Neles, discute assuntos da atualidade e da história descontraidamente, sem abrir mão do cuidado com a informação característicos de uma grande cientista. Uma voz como a dela, que une seu lugar de pesquisadora e figura pública para divulgar conhecimento científico, é crucial no combate à desinformação, sobretudo, no mundo digital contemporâneo.
Com a seriedade metodológica das ciências e uma linguagem acessível para diversos públicos, Schwarcz discute e se posiciona publicamente sobre temas fundamentais de nossa história, como escravidão, questões raciais e autoritarismo. Sua perspectiva científica interdisciplinar oferece relevantes contribuições para o debate sobre o Brasil, ampliando nosso entendimento sobre as estruturas sociais, culturais e políticas de nosso país.
Para ela, a ciência, assim como a educação, são pilares de um país mais democrático, e por essa razão devem sempre andar juntas. Por isso, Lilia se apresenta orgulhosamente como mulher educadora e cientista, e defende com firmeza a educação pública de qualidade nas escolas e universidades. É por meio da educação e da ciência que chegamos à verdade e à boa informação, nossas principais armas contra o negacionismo e a desinformação (Schwarcz, 2025).
Schwarcz define seu ofício de historiadora como de um “mercador do tempo", que “volta aos mesmos contextos com perguntas novas [...], do seu momento” (Schwarz, 2020). O passado é dinâmico e está em constante transformação: modifica-se à medida que mudam as questões do presente. Schwarcz é essa navegante de tempos que, sensível aos desafios de seu presente, olha para o passado atenta e motivada a contribuir na produção de conhecimento sobre o mundo em que vive.
Com timidez e modéstia, Lili reluta em aceitar seu merecido lugar no panteão de notáveis cientistas brasileiros. Reconhece, porém, que a geração da qual ela faz parte tem um legado de inegável relevância: é responsável por renovar a historiografia e a antropologia no Brasil, enfatizando o estudo da perversidade do regime escravocrata e o protagonismo de pessoas escravizadas. Ao invés de vê-las apenas como vítimas, essa historiografia – em grande parte produzida por intelectuais negros – evidencia sua agência, rebeliões e insurreições individuais e coletivas. Ao mesmo tempo, ela observa que a antropologia brasileira projetou o pensamento ameríndio e o perspectivismo para além das fronteiras nacionais, fazendo com que sua geração tenha impacto significativo também nos debates internacionais da disciplina.
Lilia Schwarcz é uma pesquisadora que integra rigor acadêmico, compromisso social e capacidade de comunicação pública. Oferece à sociedade instrumentos de reflexão sobre o presente ao revisitar temas pungentes como escravidão e racismo. Sua atuação exemplifica o papel social da ciência: produzir conhecimento crítico, preservar a memória histórica e participar do debate público para a construção de uma sociedade mais justa.
Seus estudos contribuem enormemente para a sociedade brasileira, demonstrando como é imprescindível conhecer e questionar de forma crítica o passado, para transformar o presente e propor novos futuros.

Prêmios e condecorações

<strong>2025</strong>
Prêmio Jabuti Acadêmico - categoria História e Arqueologia - Livro “Imagens da Branquitude: a presença da ausência”
Comendador da Ordem Nacional do Mérito Cultural, Governo Brasileiro. Presidente Luis Inácio Lula da Silva.
<strong>2024</strong>
Prêmio CONFAP - 1º lugar na categoria Pesquisadora Destaque - Ciências Humanas, Prêmio CONFAP de Ciência, Tecnologia e Inovação - Johanna Döbereiner (Edição 2023).
Eleita para a cadeira nº 9 da Academia Brasileira de Letras.
Título de Doctora Honoris Causa de la Universidad de Buenos Aires.
<strong>2023</strong>
Prêmio Anual de Educação em Direitos Humanos - Curso "Nossas conversas: Feminismos, UnB Mireya Suarez.
Medalha do Mérito de Rio Branco, no Grau de Oficial de Comendadora, pelo conhecimento e contribuição para a democracia, Governo brasileiro.
Prêmio Jabuti - categoria Literatura Juvenil - Livro "Óculos de Cor"
<strong>2022</strong>
Prêmio Jabuti - categoria Ciências Humanas - livro Enciclopédia Negra.
<strong>2021</strong>
Reimar Lüst Award for International Scholarly and Cultural Exchange, Alexander von Humboldt Foundation.
<strong>2018</strong>
Prêmio Tese Destaque USP 2018 - Menção Honrosa (orientadora do vencedor), USP.
"Brazil: a biography" eleito pelo Financial Times como um dos "Best books politics 2018".
Exposição "Histórias Afro-Atlânticas" - melhor exposição do ano, NY Times.
Exposição "Histórias Afro-Atlânticas" – Grande Prêmio da Crítica, APCA.
Exposição "Histórias Afro-Atlânticas" – melhor exposição de 2018, ABCA.
<strong>2017</strong>
Medalha Rui Barbosa, Fundação Casa de Rui Barbosa.
"Lima Barreto: triste visionário" - Prêmio de "Melhor livro de Ciências Sociais", ANPOCS.
"Lima Barreto: triste visionário" - Prêmio de melhor ensaio, Biblioteca Nacional.
<strong>2016</strong>
Prêmio Jabuti - categoria Arquitetura, Urbanismo, Artes e Fotografia - catálogo “Histórias Mestiças” (com Adriano Pedrosa)
<strong>2014</strong>
Prêmio Melhor Livro de História. "Batalha do Avaí", Academia Brasileira de Letras.
<strong>2011</strong>
Prêmio da APCP: Associação Paulista de Críticos de Arte: História do Brasil Nação.
<strong>2010</strong>
Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico, Governo Brasileiro. Presidente Luis Inácio Lula da Silva.
<strong>2009</strong>
Prêmio Jabuti - categoria Biografia - “O sol do Brasil: Nicolas-Antoine Taunay e as desventuras dos artistas franceses na corte de D. João”.
<strong>2008</strong>
Prêmio Júlio Ribeiro (etnografia), Academia Brasileira de Letras.
<strong>2006</strong>
Prêmio Guggenheim Foundation.
<strong>2000</strong>
"As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos", Prêmio Clio de História. Academia Paulistana de História. Melhor biografia.
"História da Vida Privada IV", Prêmio Clio de História. Academia Paulistana de História. Melhor coletânea.
"As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos", Associação Brasileira de Escritores.
"História da vida privada 4", Associação Brasileira de Escritores.
<strong>1999</strong>
Prêmio Jabuti de Literatura - Livro do Ano - "As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos"
<strong>1998</strong>
Coleção História da Vida Privada no Brasil, Prêmio Manoel Bonfim.
<strong>1989</strong>
Melhor Livro de História - Livro Retrato em Branco e Negro, Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil/FNLIJ.

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Créditos

Revisão de texto

Date Issued

January 6, 2026

Coleções

Lilia Schwarcz no Flipelô Lilia Schwarcz com os irmãos e a mãe Lilia Schwarcz e o marido, Luiz Schwarcz Lilia Schwarcz e os filhos, Julia e Pedro. Lilia Schwarcz com as matriarcas da família Lilia Schwarcz e o cachorro, Wilson Exposição Histórias Afro-Atlânticas no MASP Exposição Histórias Afro-Atlânticas no MASP Lilia Schwarcz vestindo o fardão da ABL Lilia Schwarcz discursa em sua posse na ABL Lilia Schwarcz e Ana Maria Gonçalves Lilia Schwarcz e Ailton Krenak Lilia Schwarcz e Conceição Evaristo Lilia Schwarcz em evento literário na Bahia Lilia Schwarcz em banca de defesa de tese na UFPE Lilia Schwarcz em sala de aula Depoimento de Lilia Schwarcz, concedida à equipe do Canal Ciência sobre os marcos mais importantes da sua trajetória profissional e acadêmica e os desafios enfrentados.Marcos e desafios da trajetória acadêmica e profissional de Lilia Schwarcz Lilia Schwarcz comenta sobre como ela percebe a educação e da ciência brasileiras.Educação e ciência no Brasil Comentário de Lilia Schwarcz acerca da presença das mulheres na ciência.Mulheres na ciência Lilia Schwarcz fala sobre os desafios pelos quais passa a ciência brasileira e quais suas sugestões de melhorias para enfrentá-los.Desafios e melhorias da ciência brasileira Lilia Schwarcz fala sobre o legado e o impacto de seu trabalho no âmbito acadêmico.Legado e impacto Lilia Schwarcz comenta sobre sua contribuição para difundir a ciência e a produção intelectual brasileiras internacionalmente.Produção intelectual nacional e internacional Lilia Schwarcz fala sobre como se sente frente a seus pares.A relação com os pares Lilia Schwarcz comenta sobre as contribuições que acredita que deixar para as novas gerações de cientistas.Contribuições para as novas gerações de cientistas Recado da pesquisadora Lilia Schwarcz para o público e a equipe do Canal Ciência.Recado para os Ciêncers