Os arquivos pessoais e a memória da Mata Atlântica
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Título para divulgação do texto
Os arquivos pessoais e a memória da Mata Atlântica
Título original da pesquisa
Arquivos pessoais de cientistas e conservacionistas: A experiência do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA)
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Resumo
Os arquivos, especialmente os pessoais de cientistas e conservacionistas, são fundamentais para preservar a memória e a história de instituições e indivíduos. O Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) tratou os acervos de personalidades como Augusto Ruschi, digitalizando-os para torná-los acessíveis. Esse trabalho de preservação garante que a trajetória da conservação da Mata Atlântica permaneça viva, servindo como fonte vital para pesquisa, educação e divulgação científica.
Tipo
Artigo de periódico
O que é a pesquisa?
No geral, arquivos são produzidos como resultado de ações e atividades, que demonstram o contexto e as funções histórica e científico-cultural de documentos, fotos, iconográficos, entre outros, que podem servir de pesquisa para uma pessoa, para cientistas ou instituições. Já os arquivos pessoais são mais restritos. São os registros das atividades de uma pessoa e estão diretamente ligados aos seus feitos no decorrer de sua vida e servem como prova e testemunho de sua memória.
Ao serem divulgados, os acervos arquivísticos permitem que pesquisadores, especialistas em alguma área específica do conhecimento ou não, estudantes ou mesmo curiosos sobre um determinado assunto utilizem seus documentos como fontes para pesquisa e para a formação cultural e educativa, além de reconhecer neles um importante patrimônio. Com o acesso aos documentos arquivísticos, registros históricos são disponibilizados e podem ser usados para o resgate de memórias.
Assim, estudos foram feitos nos acervos arquivísticos de cientistas e conservacionistas do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) para contribuir com a preservação e construção da memória da instituição e na divulgação e disseminação dos conhecimentos a respeito da Mata Atlântica, que é um bioma de grande biodiversidade, ampliando as fontes de pesquisa que discutem as preocupações com a natureza no último século, a fim de aprofundar seu acesso à sociedade.
Ao serem divulgados, os acervos arquivísticos permitem que pesquisadores, especialistas em alguma área específica do conhecimento ou não, estudantes ou mesmo curiosos sobre um determinado assunto utilizem seus documentos como fontes para pesquisa e para a formação cultural e educativa, além de reconhecer neles um importante patrimônio. Com o acesso aos documentos arquivísticos, registros históricos são disponibilizados e podem ser usados para o resgate de memórias.
Assim, estudos foram feitos nos acervos arquivísticos de cientistas e conservacionistas do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) para contribuir com a preservação e construção da memória da instituição e na divulgação e disseminação dos conhecimentos a respeito da Mata Atlântica, que é um bioma de grande biodiversidade, ampliando as fontes de pesquisa que discutem as preocupações com a natureza no último século, a fim de aprofundar seu acesso à sociedade.
Como é feita a pesquisa?
A Mata Atlântica, reconhecida como patrimônio nacional, vem sendo severamente afetada pelo desmatamento e pela perda de biodiversidade. Nesse contexto, o tratamento arquivístico evidencia a relevância de organizar, conservar e divulgar documentos que registram as características originais do bioma, suas transformações ao longo do tempo e as ações desenvolvidas para sua preservação. A metodologia utilizada nesse estudo baseou-se na análise de fontes documentais sob a guarda do INMA, reforçando a pesquisa histórica e documental como eixo central da investigação.
No Brasil, a ciência e a conservação da natureza estão relacionadas ao trabalho de alguns cientistas pioneiros, que criaram áreas protegidas, fizeram a elaboração de listas de espécies ameaçadas e desenvolveram projetos voltados à preservação da fauna e da flora nativas. Os pioneiros destacados nesse estudo são: Augusto Ruschi, Álvaro Coutinho Aguirre, Adelmar Coimbra-Filho e Ibsen de Gusmão Câmara.
O acervo do naturalista Augusto Ruschi foi o primeiro a passar pelo projeto de tratamento arquivístico - organização, higienização, restauração e preservação. Ele recebeu o título de Patrono da Ecologia do Brasil concedido pela Câmara dos Deputados por ser conhecido mundialmente pelas suas pesquisas com beija-flores e por defender ativamente o meio ambiente.
Ruschi participou da fundação do Museu de Biologia Prof. Mello Leitão (MBML) em Santa Teresa, interior do estado do Espírito Santo, o qual foi importante referência nacional para a conservação ambiental, e desempenhou papel decisivo na criação e/ou consolidação de algumas áreas protegidas do Brasil.
Todavia, poucos documentos foram encontrados como registro das atividades e ações do naturalista, uma vez que a maioria apoiava-se em sua própria fala, na visão de mundo e de si próprio, mostrando que esses artigos podem ter sido produzidos com propósitos específicos. Porém, a partir dos produtos gerados, houve a atração de pesquisadores e escritores para se inteirar desse material e utilizá-lo como fonte de pesquisa.
Em 2022, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), o MBML montou um circuito histórico para apresentar a relação entre a vida e o trabalho de Augusto Ruschi com o surgimento do Museu e a criação do INMA. E foi a partir dessa ação que houve o interesse de agentes públicos ligados à educação patrimonial e o interesse do INMA em investir nos acervos arquivísticos, concomitantemente à aquisição de novos arquivos pessoais.
O acervo documental de Adelmar Coimbra-Filho foi doado pelos responsáveis legais e transferido ao INMA para tratamento arquivístico. Adelmar Coimbra-Filho é considerado o "pai da primatologia" no Brasil e suas pesquisas eram voltadas aos estudos em taxonomia, etologia e criação de primatas neotropicais.
O almirante Ibsen de Gusmão Câmara foi um contra-almirante que se dedicou ao estudo da história natural e incentivou o fim da caça às baleias. Seu acervo passou por tratamento junto com os documentos do engenheiro agrônomo Álvaro Coutinho Aguirre, que foi o fundador do Parque de Refúgio de Animais Silvestres Soorotema.
Os pequenos acervos desses cientistas foram digitalizados e armazenados na nuvem para serem disponibilizados para pesquisas.
No Brasil, a ciência e a conservação da natureza estão relacionadas ao trabalho de alguns cientistas pioneiros, que criaram áreas protegidas, fizeram a elaboração de listas de espécies ameaçadas e desenvolveram projetos voltados à preservação da fauna e da flora nativas. Os pioneiros destacados nesse estudo são: Augusto Ruschi, Álvaro Coutinho Aguirre, Adelmar Coimbra-Filho e Ibsen de Gusmão Câmara.
O acervo do naturalista Augusto Ruschi foi o primeiro a passar pelo projeto de tratamento arquivístico - organização, higienização, restauração e preservação. Ele recebeu o título de Patrono da Ecologia do Brasil concedido pela Câmara dos Deputados por ser conhecido mundialmente pelas suas pesquisas com beija-flores e por defender ativamente o meio ambiente.
Ruschi participou da fundação do Museu de Biologia Prof. Mello Leitão (MBML) em Santa Teresa, interior do estado do Espírito Santo, o qual foi importante referência nacional para a conservação ambiental, e desempenhou papel decisivo na criação e/ou consolidação de algumas áreas protegidas do Brasil.
Todavia, poucos documentos foram encontrados como registro das atividades e ações do naturalista, uma vez que a maioria apoiava-se em sua própria fala, na visão de mundo e de si próprio, mostrando que esses artigos podem ter sido produzidos com propósitos específicos. Porém, a partir dos produtos gerados, houve a atração de pesquisadores e escritores para se inteirar desse material e utilizá-lo como fonte de pesquisa.
Em 2022, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), o MBML montou um circuito histórico para apresentar a relação entre a vida e o trabalho de Augusto Ruschi com o surgimento do Museu e a criação do INMA. E foi a partir dessa ação que houve o interesse de agentes públicos ligados à educação patrimonial e o interesse do INMA em investir nos acervos arquivísticos, concomitantemente à aquisição de novos arquivos pessoais.
O acervo documental de Adelmar Coimbra-Filho foi doado pelos responsáveis legais e transferido ao INMA para tratamento arquivístico. Adelmar Coimbra-Filho é considerado o "pai da primatologia" no Brasil e suas pesquisas eram voltadas aos estudos em taxonomia, etologia e criação de primatas neotropicais.
O almirante Ibsen de Gusmão Câmara foi um contra-almirante que se dedicou ao estudo da história natural e incentivou o fim da caça às baleias. Seu acervo passou por tratamento junto com os documentos do engenheiro agrônomo Álvaro Coutinho Aguirre, que foi o fundador do Parque de Refúgio de Animais Silvestres Soorotema.
Os pequenos acervos desses cientistas foram digitalizados e armazenados na nuvem para serem disponibilizados para pesquisas.
Qual a importância da pesquisa?
Os arquivos pessoais são fontes de informação e pesquisa: por meio dos documentos arquivísticos, a trajetória de um indivíduo e de uma instituição pode ser reconstituída e preservada.
O tratamento arquivístico é uma ação de preservação da memória e de responsabilidade social. No caso da Mata Atlântica, ele garante que a história desse bioma permaneça viva, servindo de aprendizado e inspiração para o presente e para o futuro.
No processo de tratamento arquivístico feito com os documentos pessoais de quatro personalidades ligadas à conservação da Mata Atlântica, os desafios foram muitos. Entre eles, a falta de espaços adequados para armazenamento dos documentos, ausência de um sistema de segurança contra incêndios e outros tipos de desastres, insuficiência de recursos para manter a integridade, confidencialidade e disponibilidade dos documentos no processo de digitalização, entre outros.
O estudo evidenciou o compromisso do INMA em recuperar a memória ambiental e científica relacionada à conservação da Mata Atlântica, destacando a relevância dos arquivos pessoais como instrumentos de educação, cultura e divulgação da ciência. Além disso, o estudo ressalta o papel desses acervos na construção de identidades sociais e na legitimação institucional do próprio INMA. O INMA, ao tratar e dar visibilidade ao seu acervo arquivístico, ressalta o seu papel como lugar de pesquisa e conservação da memória da Mata Atlântica.
O tratamento arquivístico é uma ação de preservação da memória e de responsabilidade social. No caso da Mata Atlântica, ele garante que a história desse bioma permaneça viva, servindo de aprendizado e inspiração para o presente e para o futuro.
No processo de tratamento arquivístico feito com os documentos pessoais de quatro personalidades ligadas à conservação da Mata Atlântica, os desafios foram muitos. Entre eles, a falta de espaços adequados para armazenamento dos documentos, ausência de um sistema de segurança contra incêndios e outros tipos de desastres, insuficiência de recursos para manter a integridade, confidencialidade e disponibilidade dos documentos no processo de digitalização, entre outros.
O estudo evidenciou o compromisso do INMA em recuperar a memória ambiental e científica relacionada à conservação da Mata Atlântica, destacando a relevância dos arquivos pessoais como instrumentos de educação, cultura e divulgação da ciência. Além disso, o estudo ressalta o papel desses acervos na construção de identidades sociais e na legitimação institucional do próprio INMA. O INMA, ao tratar e dar visibilidade ao seu acervo arquivístico, ressalta o seu papel como lugar de pesquisa e conservação da memória da Mata Atlântica.
Área do Conhecimento
Ciências Sociais Aplicadas
Ciências Humanas
Ciências Biológicas
Palavras-chave – Entre 3 a 5 palavras
Português
arquivos pessoais
Português
memória
Português
conservação biológica
ODS
ODS 13: Ação Contra a Mudança Global do Clima
Referência da Pesquisa Original
GONÇALVES, Alyne dos Santos. Arquivos pessoais de cientistas e conservacionistas: A experiência do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA). Estudos Históricos (Rio de Janeiro), v. 36, n. 79, p. 5-22, 2023.
Link da pesquisa original
Data da publicação do texto de divulgação
November 26, 2025
Como citar este texto
Farias (2025)



