Preservando a memória dos cientistas perseguidos durante a ditadura militar

Item

Título para divulgação do texto

Preservando a memória dos cientistas perseguidos durante a ditadura militar

Título original da pesquisa

Entre a memória e a informação: cientistas perseguidos na Ditadura Militar

Imagem de capa

Autor do texto de divulgação

Revisão de texto

Autores do texto original

Fonte(s) Financiadora(s)

Resumo

A pesquisa "Ciência na Ditadura" documenta em verbetes a perseguição a cientistas durante o regime militar brasileiro (1964-1985), detalhando impactos individuais e na produção científica nacional. Desenvolvida pelo IBICT e MAST, a base online reúne dados de mais de 500 pesquisadores. O estudo centraliza memórias dispersas, evidenciando mecanismos de censura e resistência, e amplia o acesso público a essa história.

Tipo

Anais

O que é a pesquisa?

Durante o período de 1964 a 1985, o Brasil foi governado por militares, por meio de um sistema de governo autoritário, chamado ditadura. Eles chegaram ao poder a partir de um golpe, que tirou o então presidente João Goulart de seu posto. Muitas pessoas foram perseguidas, presas, expulsas do país e mortas nesses anos, inclusive cientistas. Assim, o estudo aqui apresentado buscou levantar dados de pesquisadores e professores universitários perseguidos durante o referido período e agrupá-los em uma única obra.

A pesquisa, que ainda está em desenvolvimento, mas já possui resultados parciais, faz parte do projeto “Ciência na Ditadura” e foi iniciada em 2013, através de uma parceria entre o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) e o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST). Os dados coletados sobre cada pessoa perseguida foram organizados em verbetes, ou seja, em pequenos textos que contêm informações, como data de nascimento e de falecimento, área do conhecimento, instituição em que atuava na época e o tipo de perseguição que sofreu (se foi presa, obrigada a sair do país, se teve alguma de suas obras censurada etc.). Os verbetes também contam com informações sobre os impactos que as perseguições geraram nas vidas pessoais desses cientistas, na ciência brasileira, e sobre como os que sobreviveram a elas conseguiram refazer suas trajetórias, outrora destruídas. Nesse sentido, a pesquisa traz dados de quantos cientistas abandonaram seus trabalhos acadêmicos, quantos foram obrigados a se aposentar ou que foram demitidos. Ela também aponta o número de pesquisas que tiveram que ser interrompidas nesse contexto e de grupos de pesquisas que foram desfeitos. Como exemplo, a autora e os autores da investigação destacam o caso da Universidade de Brasília (UnB), que ficou praticamente esvaziada, porque mais de 220 de seus professores pediram demissão em vista das perseguições sofridas.

Como é feita a pesquisa?

O primeiro passo seguido por Gilda Olinto, Ricardo Pimenta e Alfredo Tolmasquim, autora e autores deste estudo, foi levantar e registrar os nomes dos cientistas perseguidos durante a ditadura militar. Todos os que eram professores universitários, pesquisadores atuantes em institutos de pesquisa, que publicavam textos acadêmicos e/ou que participavam de associações científicas foram incluídos na investigação. Foram deixados de fora intelectuais que não estavam vinculados à atividade acadêmica no período da perseguição, a exemplo de professores de curso secundário, pessoal técnico ou administrativo das universidades e estudantes – mesmo aqueles que posteriormente tenham se tornado renomados cientistas. Em seguida, os autores pesquisaram dados sobre essas pessoas: nome completo, gênero, data de nascimento e morte (no caso de pessoas já falecidas), área do conhecimento, instituição de pesquisa e/ou ensino a que estavam vinculadas naquele momento, as perseguições e restrições sofridas, as formas como esses cientistas continuaram suas trajetórias e se retornaram à instituição de origem após a lei de anistia de 1979. As informações encontradas foram checadas através da consulta a diferentes fontes, porque, em alguns casos, elas divergiam entre si. Somente depois dessa checagem, os autores elaboraram os verbetes para cada cientista perseguido. Esses pequenos textos foram escritos seguindo um padrão, garantindo que todos os dados coletados estivessem presentes. Depois de finalizados, eles foram inseridos em uma base online, disponível ao público para acesso gratuito no site do MAST (ver Material Complementar). A base já conta com cerca de 500 cientistas, mas os autores acreditam que esse número irá superar 1.000 pessoas. Novas informações vêm sendo coletadas a partir do acesso a arquivos do Sistema Nacional de Informação (SNI) e do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), órgãos que monitoravam pessoas opositoras do regime e/ou consideradas uma ameaça para a ordem política e social que o governo queria manter.

Qual a importância da pesquisa?

Hoje, há muitos estudos que investigam as trajetórias de cientistas perseguidos pela ditadura militar no Brasil, além de diversas instituições de pesquisa e universidades que montaram comissões para levantar esses e outros casos de violações graves de direitos humanos cometidas em suas imediações, durante o período. Contudo, esses dados estão espalhados em diferentes documentos, entre relatórios e publicações acadêmicas, de modo que, para acessá-los, as pessoas precisam buscar cada um desses documentos. Quem geralmente tem conhecimentos específicos para encontrar esses dados com facilidade são pesquisadores que estudam o tema da ditadura militar no Brasil, de modo que a sociedade como um todo acaba sendo excluída do acesso a tais informações. Ao reunir os verbetes sobre os cientistas perseguidos pela ditadura militar em uma única base, este estudo facilita e amplia o conhecimento dessas histórias, tornando-as mais acessíveis ao público em geral. Os verbetes elaborados consistem em um rico material que pode ser utilizado como fonte de informação para outras pesquisas sobre o tema, além de incentivar o interesse dos cidadãos para esse assunto que é grande importância para a memória do Brasil. Eles facilitam a identificação dos perfis que eram mais visados pelos órgãos de repressão, em termos de idade, áreas do conhecimento, instituição etc. Além disso, a partir da base de dados, é mais fácil identificar os diversos caminhos que essas pessoas seguiram. Algumas abandonaram a profissão de pesquisador e foram trabalhar em outros setores, outras entraram em depressão e não conseguiram mais trabalhar. Houve ainda aquelas que conseguiram se manter na pesquisa e/ou no ensino em instituições privadas brasileiras ou em institutos e universidades no exterior. A partir dessa perspectiva, é possível compreender a busca dessas pessoas por novos caminhos como uma forma de resistência.

Área do Conhecimento

Ciências Humanas

Palavras-chave – Entre 3 a 5 palavras

Português ditadura
Português produção científica
Português golpe de 1964

ODS

ODS 16: Paz, Justiça e Instituições Eficazes
ODS 4: Educação de Qualidade

Referência da Pesquisa Original

Link da pesquisa original

Material Complementar

Data da publicação do texto de divulgação

October 30, 2025

Como citar este texto

Accorsi (2025)

Coleções

Caça ao estudante. Sexta-feira Sangrenta